Análise e perspectivas após o rebaixamento de nota de crédito dos Estados Unidos - Dinheiro Consciente

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02 agosto 2023

Análise e perspectivas após o rebaixamento de nota de crédito dos Estados Unidos

 Análise e perspectivas após o rebaixamento de nota de crédito dos Estados Unidos

Entrevista com Rodrigo Antunes, economista e partner na WIT Invest

Rodrigo Antunes, economista e partner na WIT Invest 

O rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+" nesta terça-feira (01/08) pela agência Fitch levanta questionamentos sobre as consequências para a economia global. Nesta entrevista, Rodrigo Antunes, economista e partner na WIT Invest, oferece uma análise sobre os possíveis reflexos dessa decisão para o Brasil e para o cenário internacional. 

 1. O que este rebaixamento pode representar para o Brasil e para o mundo? 

R: Acredito que a contaminação é bem limitada para o Brasil, uma vez que estamos realizando um trabalho na economia brasileira que tem atraído investidores em função do valuation atrativo de nossas empresas e com a possível redução da Selic sinalizando responsabilidade fiscal, atraindo capital de curto e médio prazos.

2. Como os investidores estrangeiros podem reagir ao rebaixamento da nota dos EUA? O Brasil poderia receber mais investimentos? 

R:  Investidores que possuem alocações em países com grau AAA, precisam necessariamente realocar esses recursos e, portanto, acaba forçando uma venda de ativos nos EUA, acredito que isso esteja impactando mais a queda de hoje do que o risco de um possível default.

3. Considerando a atual conjuntura econômica global, como o rebaixamento da nota de crédito dos EUA pode afetar as taxas de juros americana e a política monetária brasileira?

R: O rebaixamento é resultado de uma análise das possíveis consequências do aumento de juros na economia, que se faz necessário devido à inflação, os custos dessa alta de juros devem ser menores do que um possível descontrole inflacionário. Por esse motivo o Fed usa esse instrumento monetário. O reflexo no mundo todo é marginalmente negativo, isso inclui o Brasil, porém, este por estar com os preços das ações das empresas muito baixo e estar conseguindo aprovar reformas importantes, pode sim atrair parte desses recursos. 

4. Como os investidores usam as classificações de crédito para avaliar o perfil de risco de governos, como os Estados Unidos, e como isso pode impactar os mercados de capitais de dívida?

R: Usam para mapearem e alocar os investimentos que apresentam um menor risco e isso acaba respingando nas empresas daquela economia. Por exemplo, existem fundos de investimentos  que possuem uma política de parte da alocação somente em países/empresas com rating triple A.

5. O rebaixamento da nota de crédito dos EUA pode desencadear uma revisão da classificação de risco do Brasil por outras agências internacionais? Quais seriam os possíveis efeitos dessa revisão para a economia brasileira?

R: Pode desencadear uma revisão das outras agências, primeiramente para o próprio EUA e dependendo da magnitude, nos outros países. Mas, acredito que esse risco é bastante limitado.

6. Quais são as perspectivas para a economia mundial nos próximos meses, considerando o cenário após o rebaixamento?

R: O Fed deverá ainda persistir com juros altos e por mais tempo para tentar controlar a inflação. Não podemos nos esquecer que no próximo ano tem eleições nos EUA e sempre em ano de eleição, sabemos que existe um esforço para reeleição.

7. Esta mudança na nota pode beneficiar a China de alguma forma? Como?

R: Marginalmente. Porém, o maior impacto na China é como eles vão lidar com o baixo crescimento.

 

Sobre a WIT - Wealth, Investments & Trust

A WIT - Wealth, Investments & Trust é uma empresa especialista na gestão de patrimônio para pessoas, grupos familiares e empresas, atuando nas áreas de câmbio e remessas internacionais; assessoria de investimentos; seguros e benefícios; ativos imobiliários; consultoria patrimonial; e serviços financeiros. A WIT tem escritórios em Curitiba (PR), São Paulo e nos principais centros econômicos do interior paulista: Campinas, São João da Boa Vista, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Jundiaí e Votuporanga. Conta com uma equipe de mais de 200 profissionais.

Sobre Rodrigo Antunes

Economista, Mestre em administração de empresas, com carreira de mais de 26 anos no mercado financeiro atuando nas áreas de planejamento financeiro pessoal e institucional, mercado de capitais, renda variável e futuros, docência no ensino superior e liderança corporativa Sênior.

Experiência com Capital Market e Assessoria Clientes Private. Iniciou sua trajetória em 1995 na extinta B&MF como operador na bolsa de valores viva voz.

 

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